Mundo
Islandeses dizem "não" às negociações de adesão à UE
O "não" venceu o referendo e a Islândia rejeita retomar as negociações de adesão à UE.
Os resultados finais mostram que 52,8% dos islandeses responderam “não” e 47,2% “sim”.
"A nação rejeita as negociações de adesão à UE", anunciou a estação pública de rádio e televisão islandesa, RÚV.
Com este resultado, qualquer discussão sobre a adesão da Islândia fica congelada, pelo menos, até 2028.Esta foi a segunda vez que a Islândia equacionou tornar-se Estado-membro da UE, depois de ter apresentado a candidatura à adesão em 2009, na sequência da crise financeira que devastou a economia do país, tendo as negociações arrancado formalmente no ano seguinte.
O referendo estava originalmente previsto para 2027, mas foi antecipado por vários desenvolvimentos económicos e geopolíticos importantes, com destaque para a ameaça de Donald Trump de tomar pela força a Gronelândia, território autónomo dinamarquês vizinho, numa altura em que o Ártico é muito cobiçado devido aos minerais raros e novas rotas comerciais.
Este é um duro golpe para a UE, que parecia disposta a fazer concessões para integrar o país nas suas fileiras.
Pesca, custo de vida e segurança em foco
Os defensores do "sim" argumentaram que a adesão ao bloco poderia aliviar as elevadas taxas de juro e oferecer mais segurança num mundo instável devido à guerra na Ucrânia e à retórica do presidente norte-americano sobre a anexação da Gronelândia, outra ilha do Ártico.
Pesca, custo de vida e segurança em foco
Os defensores do "sim" argumentaram que a adesão ao bloco poderia aliviar as elevadas taxas de juro e oferecer mais segurança num mundo instável devido à guerra na Ucrânia e à retórica do presidente norte-americano sobre a anexação da Gronelândia, outra ilha do Ártico.
A Islândia tem enfrentado uma inflação persistentemente elevada e taxas de juro igualmente elevadas que encareceram o financiamento imobiliário. Os defensores do "sim" afirmam que a adesão à UE, e possivelmente a adoção do euro, poderia trazer alívio. A taxa de juro do banco central islandês é de 8%, em comparação com 2,25% no Banco Central Europeu (BCE)).
"Não resolveria as falhas estruturais da Islândia, mas poderia tornar-se um catalisador para uma economia mais saudável", disse o economista-chefe Vilhjalmur Hilmarsson, da Viska, um dos maiores sindicatos da Islândia.
Por sua vez, os defensores do "não" afirmaram que a adesão à UE ameaçaria a soberania e as águas de pesca da ilha.
A líder da oposição, Gudrun Hafsteinsdottir, que liderou a campanha do "não", defendeu que os argumentos económicos são exagerados. "Estes não são problemas que Bruxelas resolva por nós. São problemas que os políticos islandeses devem resolver", disse.
O governo tinha apresentado o seu plano de adesão como um momento decisivo, do tipo "agora ou nunca", e a primeira-ministra Kristrun Frostadottir disse aos eleitores em agosto que um "não" acabaria com todas as especulações sobre a UE.
A campanha do referendo alimentou o debate sobre o lugar da Islândia no mundo
"Este é um grande dia. Estávamos à espera disto há anos, para podermos votar", disse a primeira-ministra Kristrun Frostadottir aos jornalistas após votar na capital, no sábado, acrescentando que o seu governo continuaria o seu trabalho independentemente do resultado.
c/agências